IFPECAMPUS CARUARU
IFPE Caruaru · ICH · reformulação
Instituto Federal de Pernambuco
Comissão de reestruturação · documento de trabalho

Reformulação do Projeto
Pedagógico de Curso

Especialização em Interdisciplinaridade em Educação e Ciências Humanas. O que muda, o que permanece e o que ainda precisa ser decidido antes da tramitação.

Base: Res. CONSUP 90/2019 Reg. Geral lato sensu 2013 PDI 2022–2026 Atas 02/06 · 16/07 · 05/08 de 2026
01 · Diagnóstico

Três problemas, três instrumentos

Tratá-los como um problema único enfraquece as três justificativas. Cada um se corrige em um lugar diferente.

PROBLEMA A

Fragmentação

O PPC de 2019 declara a interdisciplinaridade como princípio e delega sua realização à condução de cada docente na própria disciplina. O princípio está no documento. O dispositivo, não.

→ corrige-se na matriz
PROBLEMA B

Retardo nas defesas

A pesquisa começa depois de Metodologia, tem cinco meses após o fim das aulas e a banca depende de aprovação integral. A escrita acontece quando o vínculo com a instituição já se desfez.

→ corrige-se no regulamento do TCC
PROBLEMA C

Ociosidade de vagas

Não decorre de restrição a licenciados: nem o PPC nem o edital a estabelecem. Decorre da jornada de sexta à noite mais sábado integral e de uma pontuação que premia trajetória acadêmica acumulada.

→ corrige-se na modalidade e no edital
02 · Modalidade

Quatro palavras que não são sinônimos

A confusão entre elas é o que produz projetos que prometem uma coisa e entregam outra. Vale fixá-las antes de discutir matriz.

Mesmo lugar, mesmo tempo

Presencial

Atividade realizada com estudante e docente em lugar e tempo coincidentes. É a definição legal em vigor.

Brasil, 2025, art. 3º, II
Lugares ou tempos diversos

Educação a distância

Separação entre quem ensina e quem aprende, mediada por tecnologia, com comunicação nos dois sentidos e encontros presenciais previstos desde sempre, para fins didáticos e de socialização.

Keegan, 1996; Brasil, 2025, art. 3º, I
Resposta improvisada a uma crise

Ensino remoto emergencial

Transferência às pressas do ensino presencial para meios digitais, sem o planejamento que caracteriza a EaD. Não é modalidade: é contingência. O que a pandemia produziu foi isso, e a literatura pede que não se confunda.

Hodges et al., 2020
Regimes de tempo, não modalidades

Síncrono e assíncrono

O síncrono aproxima, motiva e resolve dúvidas em tempo real; o assíncrono aprofunda, dá flexibilidade e produz contribuições mais elaboradas. Um curso presencial também pode ter atividade assíncrona.

Hrastinski, 2008

Há ainda uma distinção que o senso comum ignora: presença não é só copresença física. A pesquisa em educação online descreve presença social, cognitiva e de ensino como construções deliberadas, possíveis também no ambiente virtual (Garrison; Anderson; Archer, 2000), e a distância que importa é a transacional, função do diálogo e da estrutura, não dos quilômetros (Moore, 1993).

03 · Nomenclatura

Por que não chamamos de híbrido

RAZÃO 1

Termo guarda-chuva

Praticamente qualquer combinação de presencial e online é chamada de híbrida na literatura. As definições mais citadas divergem entre si em amplitude. Um termo que abriga arranjos incompatíveis não nomeia com precisão a modalidade de um curso.

Hrastinski, 2019
RAZÃO 2

No Brasil, designa método

A obra de referência sobre ensino híbrido trata de rotação por estações e sala de aula invertida na educação básica presencial. É estratégia didática dentro do presencial, não modalidade de oferta.

Bacich; Tanzi Neto; Trevisani, 2015
RAZÃO 3

Não existe na norma

O Regulamento Geral da pós-graduação lato sensu do IFPE admite duas modalidades, presencial ou a distância, e determina que a oferta a distância seja regida pela Diretoria de Educação a Distância. Não há categoria intermediária.

IFPE, 2013, art. 1º, §1º
O curso é educação a distância com atividades presenciais obrigatórias. Não é uma exceção que precisamos justificar: é o modelo que o próprio PDI descreve como forma de atuação da DEaD, com encontros presenciais destinados a seminários e à avaliação da aprendizagem (IFPE, 2022). Com os encontros de 5 horas (slide 07), porém, a carga presencial chega a 51,1% — o que torna indispensável a confirmação da designação pela ASPE e pela DEaD.
04 · Quadro comparativo

Vigente e proposto

Parâmetro
PPC vigente · 2019
Reformulação
Modalidade
Presencial
EaD com atividades presenciais obrigatórias, no modelo da DEaD descrito no PDI designação formal
Regime de aulas
Sexta 18h–22h e sábado 7h30–18h15 · cerca de 14h semanais
Encontros presenciais concentrados de 5 horas, mínimo de 2 por componente decidido
Organização
12 componentes de 20h e 40h, sem eixo
4 módulos temáticos com componentes de 24h e 32h em ata
Interdisciplinaridade
Princípio declarado, sem componente próprio
Atividade integradora de 16h ao fim de cada módulo · 64h no total em ata
Carga total
400h · 360 em componentes, 40 no TCC
400h · mantida, conforme art. 10 §1º do Regulamento conforme
Formatos de TCC
Trabalho final único
Artigo, produto educacional, projeto de intervenção, material didático, sequência ou relatório em ata
Orientação
Teto de 3 orientandos · vinculação ao fim do curso
Coorientação admitida pelo art. 23 · vinculação ao fim do Módulo II · teto a definir entre 2 e 3 vinculação decidida teto em aberto
Avaliação
Instrumentos presenciais
40% presencial e 60% a distância por componente, por peso a decidir
Seleção
Critérios integralmente delegados ao edital
Faixas de peso no PPC · experiência docente como item dominante (40–50%) · percentuais em ajuste a ajustar
Duração
15 meses
Três semestres · 18 meses de componentes e 6 para a conclusão decidido
Frequência
75% presencial, aferição por chamada
75% · aferição pelo registro de conclusão de atividades no AVA resolvido
Ações afirmativas
Reserva prevista apenas no edital
Reserva de vagas passa a constar do PPC, com heteroidentificação em ata
decidido travado nesta rodada a decidir / a ajustar alternativas em aberto pendência depende de resposta institucional
05 · Matriz

360 horas em quatro módulos

As faixas hachuradas são o que não existia no projeto anterior: 64 horas de trabalho integrador com carga própria e responsabilidade partilhada.

MÓDULO IFundamentos da interdisciplinaridade
80 h
MÓDULO IIEducação, tecnologias e práticas
88 h
MÓDULO IIISociedade, cultura e direitos humanos
112 h
MÓDULO IVPesquisa e intervenção
80 h
TCCfora das 360h · art. 10 §1º
40 h
componentes curriculares atividade integradora · presencial · docência partilhada trabalho de conclusão

Ponto de atenção: o Módulo III é 40% mais extenso que os demais, e o Módulo IV concentra a formação metodológica no último quarto do percurso.

06 · Percurso

De princípio declarado a produto verificável

Um currículo que prescreve integração sem alocar carga horária, sem prever regência partilhada e sem criar registro dessa partilha não está pedindo interdisciplinaridade. Está pedindo dedicação suplementar não remunerada e chamando isso de princípio pedagógico.

07 · Carga presencial

A conta só fecha com o encontro em horas

Doze componentes com o mínimo de dois encontros, somados às 64 horas de atividades integradoras. A linha âmbar marca o patamar de 40%. O encontro de 5 horas foi travado como decidido nesta rodada.

Encontro de 3 horas
37,8%
136 h presenciais · 224 h a distância

Fica abaixo do patamar de referência.

Encontro de 4 horas
44,4%
160 h presenciais · 200 h a distância

Cerca de 18 sábados ao longo do curso, um a cada três semanas.

Encontro de 5 horas
51,1%
184 h presenciais · 176 h a distância

Decidido. Atende o patamar com folga, mas reduz o ganho de acesso que motiva a mudança.

Ponto de atenção: com 51,1% de carga presencial, o curso passa a ser majoritariamente presencial — o que tensiona a designação “semipresencial/EaD”. A ASPE e a DEaD precisam confirmar se o modelo da DEaD ainda se aplica, ou se o curso deve ser designado presencial com carga a distância.

08 · Avaliação

Peso proporcional à carga, não metade para cada

Um componente de 24 horas com dois encontros de cinco soma 10 h presenciais — cerca de 40% da carga. Atribuir-lhe 40% da nota é proporcional; a divisão de metade para metade distorceria esse componente. O equilíbrio existe no nível do curso.

Categoria
Instrumento no AVA
Peso no componente
Mediação
Chat de dúvidas, síncrono
sem nota apoio à permanência
Interação
Fórum avaliativo, por escala
20% · a distância
Elaboração
Tarefa com reabertura de tentativas
30% · a distância
Verificação
Questionário com feedback adiado
10% · a distância
Presencial
Instrumento avaliativo do encontro
25% · presencial
Presencial
Participação nas atividades do encontro
15% · presencial

A hierarquia de pesos segue o princípio da avaliação formativa e multi-instrumental em educação online (Silva; Santos, 2006): o questionário de correção automática verifica reconhecimento; o fórum e a tarefa evidenciam elaboração e autoria. Com 40% de peso presencial nos 296 h de componentes e 100% nas 64 h de atividades integradoras, o curso fecha em 50,7% presencial. Com os encontros de 5 horas, esse percentual praticamente coincide com a carga presencial (51,1%), fechando a justificativa de proporcionalidade sem distorcer nenhum componente.

09 · Capacidade de orientação

O teto define quantas vagas o curso comporta

Teto de 2 orientandos · 11 docentes disponíveis
22 / 25três estudantes sem orientação assegurada
Teto de 3 orientandos · 11 docentes disponíveis
33 / 25folga para afastamentos e desequilíbrio entre eixos

O Regulamento Geral não fixa teto: o limite de três por docente é escolha do projeto de 2019, e o artigo 23 já admite comissão de orientação. A restrição real não é normativa, e sim de encargo: o mesmo quadro assume regência, atividade integradora, mediação no ambiente virtual e orientação.

10 · Pendências

O que trava, o que atrasa, o que espera

Clique nos quadrados para marcar o andamento na reunião: pendente → solicitado → concluído. O estado fica salvo neste navegador.

Trava a redação
Designação formal da modalidade e carga presencial mínima ASPE e DEaD
Duração do encontro presencial em horas → 5 h Comissão · decidido
Roteiro de PPC do anexo ao art. 5º ASPE
Validação do registro de conclusão como frequência DEaD
Atrasa a tramitação
Registro de vários docentes em um diário e fator de carga Registros acadêmicos
Norma de distribuição de encargos docentes Direção de Ensino
Sábados letivos disponíveis Direção de Ensino
Números de inscritos, matriculados e concluintes Relatório diagnóstico
Decisão do colegiado
Vinculação da orientação → fim do Módulo II · teto (2 ou 3) em aberto Colegiado
Distribuição dos módulos nos semestres → 3 semestres Comissão · decidido
Faixas de peso da seleção → a ajustar Colegiado
Parecer sobre autenticação cartorária Procuradoria
11 · Etapas da elaboração

Do dossiê à homologação, em cinco etapas

A ordem não é a dos capítulos do projeto, e sim a das dependências: nenhuma decisão de matriz se toma antes das respostas que poderiam invalidá-la. A versão interativa completa está no painel de decisões.

ETAPA A

Dossiê e consultas

O que não depende da comissão e trava tudo o que vem depois.

  • Regulamento, roteiro de PPC, PDI, marcos de EaD
  • ASPE e DEaD: modalidade e carga presencial
  • Q-Acadêmico, encargos, sábados letivos
  • Relatório diagnóstico e portaria
ETAPA B

Decisões estruturantes

Cada escolha recalcula matriz, calendário e encargo.

  • Encontro presencial: 5 h
  • Módulos: 3 semestres
  • Orientação: fim do Módulo II
  • Peso presencial da nota
ETAPA C

Deliberações do colegiado

Dependem dos números da etapa A e das escolhas da B.

  • Vagas, docentes e teto de orientação
  • Composição da banca
  • Critérios de seleção
  • Docência do AVA
ETAPA D

Redação do projeto

Só começa com pendências resolvidas e decisões em ata.

  • Justificativa e concepção
  • Matriz e nomeação das integradoras
  • Regulamento do TCC e avaliação
  • Ementário e corpo docente
ETAPA E

Revisão e tramitação

O prazo do edital depende inteiramente do tempo daqui.

  • Coerência e leitura externa
  • Aprovação no colegiado
  • Parecer da ASPE
  • Homologação no CONSUP
12 · Pauta

Seis perguntas para a próxima reunião

Mantemos 25 vagas e fixamos o teto em 2 ou 3 orientandos?vagas e capacidade são a mesma decisão

Confirmamos as faixas de peso da seleção no PPC?experiência docente como item dominante

O peso presencial da nota é 40% ou 50%?proporcional à carga ou divisão fixa

A banca tem 2 ou 3 integrantes?o mínimo do Regulamento ou o PPC vigente

Mantemos a aprovação integral como condição para a defesa?rever para não repetir o retardo

Como designamos a modalidade: EaD ou presencial com carga a distância?com 51,1% presencial, a ASPE/DEaD precisa confirmar

A reformulação não corrige a intenção do projeto anterior. Corrige a sua ausência de forma.

13 · Ambiente virtual de aprendizagem

Como funciona o AVA (Moodle), em linguagem simples

Para quem nunca abriu o ambiente: o que é uma sala, como ela se organiza e de onde saem as notas e a frequência.

A sala (o “curso”)

Um componente = uma sala virtual

Cada disciplina do PPC vira um espaço próprio no Moodle. Dentro dele, o docente organiza o conteúdo em seções — em geral, uma por semana ou por tema.

  • Recursos — o que se consulta: textos, videoaulas, slides, links.não geram nota
  • Atividades — o que se faz e se entrega: fórum, tarefa, questionário.geram nota e registro de participação
  • Frequência — a conclusão de cada atividade conta como presença a distância.substitui a chamada
As notas (o “livro de notas”)

Tudo cai num único painel

Cada atividade tem um valor (pontos ou percentual), e o Moodle calcula a nota do componente sozinho, conforme os pesos definidos no plano de ensino.

  • Fórum avaliativo — 20%a distância · por escala
  • Tarefa — 30%a distância · elaboração e autoria
  • Questionário — 10%a distância · reconhecimento
  • Encontro + participação — 40%presencial
  • Resultado — média final ≥ 7,0 para aprovaçãoconforme arts. 19 e 20 do Regulamento

O estudante vê, na própria sala, as atividades pendentes, os prazos e a nota parcial em tempo real. O docente acompanha no mesmo painel a mediação, corrige e lança os pesos sem precisar refazer o cálculo em planilha — e é nesse ambiente que a frequência a distância fica registrada.

Referências

Fontes citadas

BACICH, Lilian; TANZI NETO, Adolfo; TREVISANI, Fernando de Mello (org.). Ensino híbrido: personalização e tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso, 2015.

BRASIL. Decreto nº 12.456, de 19 de maio de 2025. Dispõe sobre a oferta de educação a distância por instituições de educação superior em cursos de graduação. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 20 maio 2025.

CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (Brasil). Câmara de Educação Superior. Resolução nº 1, de 6 de abril de 2018. Estabelece diretrizes e normas para a oferta dos cursos de pós-graduação lato sensu denominados cursos de especialização. Brasília, DF: CNE/CES, 2018.

GARRISON, D. Randy; ANDERSON, Terry; ARCHER, Walter. Critical inquiry in a text-based environment: computer conferencing in higher education. The Internet and Higher Education, v. 2, n. 2-3, p. 87-105, 2000.

HODGES, Charles B. et al. The difference between emergency remote teaching and online learning. EDUCAUSE Review, 27 mar. 2020. Disponível em: https://er.educause.edu. Acesso em: 1 set. 2026.

HRASTINSKI, Stefan. Asynchronous and synchronous e-learning. EDUCAUSE Quarterly, v. 31, n. 4, p. 51-55, 2008.

HRASTINSKI, Stefan. What do we mean by blended learning? TechTrends, v. 63, n. 5, p. 564-569, 2019.

INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE PERNAMBUCO. Plano de Desenvolvimento Institucional 2022-2026. Recife: IFPE, 2022.

INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE PERNAMBUCO. Conselho Superior. Resolução nº 90, de 2013. Aprova o Regulamento Geral dos Cursos de Pós-Graduação Lato Sensu do IFPE. Recife: IFPE, 2013.

KEEGAN, Desmond. Foundations of distance education. 3. ed. London: Routledge, 1996.

MOORE, Michael G. Teoria da distância transacional. In: KEEGAN, Desmond (ed.). Theoretical principles of distance education. London: Routledge, 1993.

SILVA, Marco; SANTOS, Edméa (org.). Avaliação da aprendizagem em educação online. São Paulo: Loyola, 2006.

O Decreto nº 12.456/2025 rege a graduação; suas definições entram aqui como referência conceitual, já que a base normativa do curso é o lato sensu. As diretrizes nacionais da especialização estão em revisão no CNE, o que recomenda conferência no Diário Oficial antes da tramitação.